Tempo, tempo, tempo, tempo...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Demônios do mar

Imagem:portaldosmitos


Quando a terra era jovem, reinava um deus poderoso chamado Indra.

Generoso, ele criou o mundo de modo que todos vivessem em harmonia. Porém, a alegria dos deuses e a felicidade dos homens despertavam a ira dos demônios. O pior de todos os seres do mal se chamava Writa, o demônio da fome. Dia e noite, ele quebrava a cabeça tentando decidir qual seria a maior de todas as maldades que poderia praticar contra os homens e a natureza.

Finalmente, decidiu que roubaria as nuvens do céu e as guardaria em sua sinistra caverna. Sem chuvas, a Terra ficaria deserta, e os homens morreriam de sede e fome.

Quando Indra descobriu que o demônio lhe havia roubado as nuvens, apanhou suas armas e decidiu enfrentá-lo num combate. O demônio se escondeu em sua caverna.

Então, Indra se dirigiu a Brahama, o deus dos deuses, em busca de conselho. A resposta foi surpreendente. "A sabedoria pertence aos homens velhos", disse-lhe o deus.

Na terra, Indra encontrou um velho que lhe ofereceu a vida para que a paz fosse conquistada. "Meus ossos são mágicos, ofereço-lhe minha vida para que o mundo se salve", disse antes de morrer.

Os ossos foram transformados numa arma poderosa que, imediatamente, abriu a porta da caverna do demônio. As nuvens voltaram aos céus, e os demônios saíram correndo para escapar da ira celeste. O refúgio que encontraram foram as profundezas. E até hoje a raiva dos demônios é tão grande que ela não para de agitar as ondas do mar, provocando terríveis tempestades.

(Lenda hindu adaptada por Heloisa Prieto)


sábado, 13 de agosto de 2016

Para quem tiro o chapéu...

Meu filho mais novo sofreu uma estupenda pancada em um dos dentes (do inciso frontal) e necessitou da realização de um canal.

Fui em busca de um especialista e indicaram-me o sr. Espedito Nogueira.

Lá fomos nós ao consultório médico e confesso: estava meio apreensiva porque vejo que o procedimento é um tanto "esquisito" para os meus olhos. Mentalmente fui imaginando o Dr., levada pelo nome que remontava uma pessoa acima dos cinquenta anos e bastante sisuda (a maior parte dos Espeditos que conheci, passavam dos quarenta).

Surpresa: ali encontro um jovem que poderia ser meu filho, a jogar Pokémon go (nenhum elogio ao jogo. kkkkkk) e a sorrir largamente.

O Henrique mudou de fisionomia e já passou a sorrir enquanto o jovem médico brincava e contava casos, que nos deixavam cada vez mais tranquilos.

O procedimento foi um pouco demorado mas sequer vimos o tempo nem os "ferrinhos" passarem por nós (e olhem que foram muitos): a tensão desapareceu!


Saí do consultório médico estupefada com a arte de atender do profissional: a sua humildade, a sua tranquilidade, segurança e uma psicologia que talvez seja nata, porque não a encontrei nem mesmo em diversas odontopediatras por onde meus filhos passaram.

Ele transmitia amor, dedicação, naturalidade,vontade no seu ofício... Um lindo exemplo, um honroso ser, a quem desejo todas as realizações no âmbito profissional.

Parabéns, Dr. Espedito! O mundo precisa de profissionais como o senhor (Senhor não! Você mesmo! Deixemos os pronomes de tratamento fora de sua ordem e usemos a ordem natural!.)

Abraço respeitoso,

 Fica aí a dica para quem procura um profissional competente:






domingo, 7 de agosto de 2016

Os teóricos e o professor moderno

Edgar Morin (Graduado em Economia Política, História e Geografia e Direito, autor da teoria da complexidade):

O francês vê a sala de aula como um fenômeno complexo, que abriga uma diversidade de ânimos culturas, classes sociais e econômicas, sentimentos,,, Um espaço heterogêneo e por isso, o lugar ideal para inciar essa reforma da mentalidade que ele prega.
Para ele, a escola tem que fazer sentido para o estudante: "Aprende-se mais História e Geografia numa viagem porque é mais fácil compreender quando o conteúdo faz parte de um contexto."

Philippe Perrenoud (Suiço, um dos autores mais lidos no Brasil, doutor em sociologia e antropologia);

No livro 10 Novas competências para ensinar, ele relaciona o que é imprescindível saber para ensinar bem numa sociedade em que o conhecimento está cada vez mais acessível:

1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem;
2.  Administrar a progressão das aprendizagens;
3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho;
5. Trabalhar em equipe;
6. Participar da administração escolar;
7. Informar e envolver os pais;
8. Utilizar novas tecnologias;
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão;
10. Administrar a própria formação.

César Coll ( Professor de Psicologia evolutiva e da Educação na faculdade de Psicologia de Barcelona, foi um dos principais coordenadores da reforma educacional espanhola e consultor do MEC na elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais, aqui no Brasil).

Orienta todo o seu pensamento numa concepção construtivista de ensino-aprendizagem. A prioridade é o que o aluno aprende, não o que o professor ensina. "Ou seja, o foco principal sai dos conteúdos para a maneira de passar a informação de forma a garantir que ocorra a aprendizagem.


Antônio Nóvoa (Português, doutor em educação e catedrático da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa).

Ele diz que o desafio dos profissionais da área escolar é manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino e desenvolver práticas pedagógicas eficientes.
Para ele, é esssencial atualizar-se sempre (claro!).

Bernardo Toro (Vice-presidente de relações públicas da Fundação Social, entidade civil cuja missão é combater a pobreza na Colômbia).

Toro elaborou uma lista onde identifica as sete competências que considera necessárias desenvolver nas crianças e jovens para que eles tenham uma participação mais produtiva no século 21. São os códigos da Modernidade:

01. Domínio da leitura e da escrita;
02. Capacidade de fazer cálculos e resolver problemas;
03. Capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações;
04. Capacidade de compreender e atuar em seu entorno social;
05. Receber criticamente os meios de comunicação;
06. Capacidade de localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada;
07. Capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo.


(Resumo das páginas 18 a 25  da Revista Nova Escola, nº 154, ano XVII)


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Almas perfumadas

Carlos Drummond de Andrade

Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso  numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.

Tem gente como você que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é um dom de Deus!



sábado, 30 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cem anos de solidão

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Uma das obras mais importantes da literatura latino-americana
do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez.

Cem anos de Solidão é a narração da história de Macondo, uma cidade (aldeia) fictícia.
Tudo começa quando as coisas ainda não possuiam nome, indo até a chegada do telefone. 

Temas complexos como incesto, corrupção, loucura estão ali retratados com um realismo fantástico.

o autor hipnotiza o leitor de uma maneira avassaladora, contando a história de forma envolvente, descrevendo fatos como um comboio carregado de cadáveres, uma população que perdeu a memória, mulheres trancadas por décadas em um local escuro, uma caminhada de vinte e seis meses e a fundação de uma aldeia chamada Macondo.

A narração se estende ao longo de várias gerações, o que acontece com a família Buendia, que parece sempre estar em luta contra a realidade, a qual não lhes é muito propícia e lhes deixa à beira da destruição. 
Na saga desta família, aparecem ciganos com invenções fantásticas, e muitos e muitos Buendias vão nascendo, a ponto de fazer o leitor perder de vista a árvore genealógica da família. 
As pessoas nascem e morrem, vão embora e voltam, ou permanecem na aldeia até seus últimos dias. Mas algo lhes é comum: a solidão que sentem, mesmo vivendo em meio a muitos...

Uma história envolvente e que vale a pena conferir!

quarta-feira, 20 de julho de 2016

OS DIREITOS DOS PAIS

 

Art. 1º - Todo pai tem o direito a uma hora a mais de sono no domingo, não importando que o filho queira fazer piquenique, passear ou mesmo fugir de casa;
Art. 2º - Todo pai tem o direito de não saber andar de skate. Se mesmo assim for obrigado a utilizar este espantoso veículo - para evitar a ameaça de desmoralização - tem o direito de levar um tombo e de gemer à vontade;
Art. 3º - 1Todo pai, ao ver seu salário comido pela inflação, tem o direito de:
              a) considerar Disneyworld território hostil, ao qual não irá de jeito nenhum;
              b) retirar fitas de Atari, discos da Madonna e tênis Reebok da categoria de primeira necessidade;
Art. 4º - Todo pai e toda mãe têm o direito de ignorar quais são os afluentes do Amazonas (ao menos os da margem esquerda), evitando, desta forma, colaborar com o filho, que, no domingo à meia noite, descobre que não fez o tema para a segunda-feira e quer ajuda;
Art. 5º - Toda mãe tem o direito de se recusar a ver A hora do pesadelo, seja nº 1, nº 2, nº 3, nº 4, ou, sendo obrigada a  ver tais filmes, de gritar à vontade;
§ único - Toda mãe tem o direito de considerar o Freddy Krueger, aquele que tem unhas tipo navalha,
inimigo pessoal, e exigir que ele procure imediatamente a manicure;
Art. 6º - Todo pai tem o direito de assistir ao noticiário na TV, mesmo que em outro canal esteja passando o mais sensacional desenho animado ou o melhor filme de aventuras;
Art. 7º -Todo pai tem o direito de exigir uma redução no volume do som, quando este ultrapassar novecentos decibéis ou quando as vidraças começarem a se partir;
Art. 8º - Toda mãe, se trouxer um atestado médico comprovando que sofre da coluna e que sem mal é incurável, tem o direito de se recusar a juntar as roupas que os filhos atiram no chão;
Art. 9º - Toda mãe tem o direito de exigir a posição aproximada, em termos de latitude e longitude, ao filho que passa três horas sem aparecer em casa;
Art, 10º - Todo pai e toda mãe têm o direito à ansiedade, à preocupação, ao júbilo e à ternura; vale dizer, todo pai e toa mãe têm direito aos filhos. Se não, como teriam direito aos direitos?
(Moacyr Scliar, 27/08/1989)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A palavra AUTÔNOMO

Do grego autos (eu mesmo, si mesmo) e nomos (lei, norma, regra). Aquele que tem o poder para dar a si a regra, a norma, a lei é autônomo e goza de autonomia ou liberdade. Autonomia significa autodeterminação. Quem não tem a capacidade racional para a autonomia é heterônomo.