Tempo, tempo, tempo, tempo...

domingo, 12 de setembro de 2010

TÃO, TÃO DISTANTE... ( 1 )

A fábula é um gênero literário que encanta não somente crianças mas também adultos.
A narrativa curta e a lição de moral são ingredientes para esse envolvimento dinâmico.
Costumamos ler as fábulas de Esopo, Fontaine e as indígenas, sobretudo, este não é um gênero meramente ocidental: o oriente prima por empregá-las no seu cotidiano.
Na China, esse gênero é muito mais popular que aqui no Brasil e está sempre na boca do povo.
Diferentemente do Brasil, a moral da história nem sempre se faz presente ou podem deixar nas entrelinhas dezenas delas, centenas delas abertas pela história.
Há que se notar também que no ocidente, a diferença entre parábola e fábula é clara, enquanto na China, yùyán caracteriza todas as histórias com fundo moral ou de persuação em relação às verdades mundanas e que são representadas por seres ( pessoas/animais ).
Aprecio as fábulas chinesas e as considero "intensas".
Conto-lhes a primeira e gostaria que vocês criassem através dos comentários, uma moral para a narrativa.
Quero encontrar a sua aqui, viu?
O VELHO QUE REMOVEU AS MONTANHAS
Liezi
( Van Gogh )
Nas proximidades das montanhas Taihang e Wangwu¹, havia um velho de aproximadamente noventa anos, que todos consideravam louco. Ele tinha um propósito firmado: queria remover as montanhas da frente de sua aldeia e levá-las para um outro lugar.
Um dia, o velho louco acordou mais cedo que o habitual e falou que iria remover as montanhas, a fim de abrir um caminho até Hanying ² para facilitar a venda dos produtos locais no mercado.
Começou então a encher um cesto com pedras e quando passava em frente a sua casa, sua mulher pergunta:
- Onde vai jogar a montanha?
- No mar Bohai ³.
Por sua persistência, seus três netos foram trabalhar com ele. [ ... ]
Mesmo algumas pessoas que não acreditavam que fosse possível tal feito, se dispuseram a auxiliar o velho louco e, pouco a pouco todos se envolveram na empreitada.
Um sábio que vivia na curva do rio tentou dissuadi-lo daquela loucura.
- Deixa de ser doido! Um homem velho e fraco como você, incaçaz de carregar um saco de areia, vai remover duas montanhas para mudá-las de lugar?
O velho deu um suspiro, olhou para a montanha, para o mar e, como se calculasse o tempo que faltava para concluir o trabalho, disse:
- Se eu morrer, deixo o meu filho e o filho do meu filho, o filho do meu neto, o filho do filho do meu neto; já as montanhas, não crescem mais nem aumentam de tamanho. Por isso, vou continuar meu trabalho...
E o sábio calou-se diante de tanta sabedoria e não soube o que responder.
NOTA:
¹. Conta-se que as duas montanhas que se encontravam no sul do país, hoje se encontram em Qinghai e Beijing. ². Hanying fica na atual província de Shanxi. ³. Mar interior da China.

2 comentários:

César disse...

minha cara aquariana da pele sob o pano: bela história e gravura...
abracinhos.

Enkantinho disse...

Ops! Brigadão, gaúcho "tchê"!

Honra-me seu elogio!