Admirável o seu amor pela arte, pela poesia! Embora não nos enriqueça materialmente, "abundamos" de serenidade e completude!
Tempo, tempo, tempo, tempo...
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sábado, 21 de julho de 2018
Marcio Rufino é grandioso!
Admirável o seu amor pela arte, pela poesia! Embora não nos enriqueça materialmente, "abundamos" de serenidade e completude!
domingo, 13 de maio de 2018
Mia Couto e os sete sapatos!
"Os Sete Sapatos Sujos"
Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos de nos descalçar.
Eu contei ”Sete Sapatos Sujos” que necessitamos deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos, mas eu tinha que escolher o sete, é um número mágico:
Primeiro sapato: A ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas;
Segundo sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho;
Terceiro sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo;
Quarto sapato: A ideia de que mudar as palavras muda a realidade;
Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e o culto das aparências;
Sexto sapato: A passividade perante a injustiça;
Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.
Mia Couto
terça-feira, 1 de agosto de 2017
A sutileza de Manoel de Barros

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa

válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
(Manoel de Barros)
(Manoel de Barros)
segunda-feira, 26 de junho de 2017
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Almas perfumadas
Carlos Drummond de Andrade
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é um dom de Deus!
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.
De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas, a gente sabe
que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.
Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza.
Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria.
Recebendo um buquê de carinhos.
Abraçando um filhote de urso panda.
Tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.
Do brinquedo que a gente não largava.
Do acalanto que o silêncio canta.
De passeio no jardim.
Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo.
Corre em outras veias.
Pulsa em outro lugar.
Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco, juntinho ao nosso lado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente como você que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é um dom de Deus!
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Tenho tanto sentimento
Tenho tanto sentimento
que é frequente persuadir-me
de que sou sentimental
mas reconheço, ao medir-me,
que tudo isso é pensamento,
que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
uma vida que é vivida
e outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
e qual errada, ninguém
nos saberá explicar;
e vivemos de maneira
que a vida que a gente tem
é a que tem que pensar.
FERNANDO PESSOA
quinta-feira, 16 de abril de 2015
DISCURSO AOS MESTRES
Quando uma escola
abre as portas,
o dia não amanhece em vão.
Ante os olhos de um menino,
o mundo decifrará
seus enigmas e mistérios.
As filigranas de giz
que tombam na ampulheta
do tempo
revelam a fecundidade das horas.
Pelo acostamento das estradas,
pela encosta dos morros,
lá vão os mestres,
levando o pão da sabedoria
e o vinho do conhecimento
a tantas vidas.
Ensinam, os mestres,
bem mais do que dois e dois
são quatro.
Ensinam que nossas mãos
podem modelar o mundo
e colocar um imenso riso
na boca das avenidas.
A grandeza de um país
não se avalia através
de pirâmides de mármore.
O ritmo do país
é este passo confiante
de meninos e meninas
que regressam às suas casas
com as sacolas regurgitando
poemas, algarismos e indagações.
Oh, bendito, mil vezes bendito,
quem aprende para saber.
Abençoado, mil vezes abençoado,
quem sabe para ensinar.
(CORONEL, Luís)
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Cidadezinha cheia de graça
Mário Quintana (o poeta das coisas simples)
Cidadezinha cheia de graça...
Tão pequenina que até causa dó!
Com seus burricos a pastar na praça...
Sua igrejinha de uma torre só...
Nuvens que venham, nuvens e asas,
Não param nunca nem um segundo...
E fica a torre, sobre as velhas casas,
Fica cismando como é vasto o mundo!...
Eu que de longe venho perdido,
Sem pouso fixo (a triste sina!)
Ah, quem me dera ter lá nascido!
Lá toda a vida pode morar!
Cidadezinha... Tão pequenina
Que toda cabe num só olhar...
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
E escrevo um "poeminho"
Bem sei
Se o tempo é de sol
Minha alma só fala
Se o tempo é de chuva
Minha alma se cala
Tenho espírito temporal
De gênio temperamental
Tempo e temperamento me alucinam
Enquanto a vida...
Ah, a vida!
Tão cheia de encantos
Tão cheia de desencantos
Repleta de reticências...
Antes as reticências que as interrogações
Abomino as incertezas!
Prefiro viver exclamações
E o sol, a chuva, o meu temperamento... o vento.
Se o tempo é de sol
Minha alma só fala
Se o tempo é de chuva
Minha alma se cala
Tenho espírito temporal
De gênio temperamental
Tempo e temperamento me alucinam
Enquanto a vida...
Ah, a vida!
Tão cheia de encantos
Tão cheia de desencantos
Repleta de reticências...
Antes as reticências que as interrogações
Abomino as incertezas!
Prefiro viver exclamações
E o sol, a chuva, o meu temperamento... o vento.
O dia, a vida...
Andorinha
Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"
Andorinha, andorinha,
Minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa... à toa...
Manuel Bandeira
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Nordeste sofrido
ABC do Nordeste flagelado
Patativa do Assaré
Ai como é duro viver
Nos estados do Nordeste
Quando O Nosso Pai celeste
Não manda a nuvem chover,
É bem triste a gente ver
Findar o mês de janeiro
Depois findar fevereiro
E março também passar
Sem o inverno começar
No Nordeste brasileiro.
Berra o gado impaciente
Reclamando o verde pasto,
Desfigurado e arrasto
Com o olhar penitente
O fazendeiro, descrente
Um jeito não pode dar
O sol ardente a queimar
E o vento forte soprando,
A gente fica pensando
Que o mundo vai se acabar.
Patativa do Assaré (1909-2002) é o nome pelo qual ficou conhecido Antônio Gonçalves. Patativa é uma espécie de pássaro, admirada por seu canto. Assaré é o nome da cidade do Ceará em que o poeta nasceu.
De origem humilde, tendo frequentado a escola por muito pouco tempo, Patativa do Assaré começou a se dedicar à poesia ainda na infância. Durante toda a sua vida, manteve-se fiel à cultura popular, valorizando o caráter do sertanejo e o meio em que ele vive.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
EU DECRETO
Sou 'xonada' pelas poesias de Thiago de Mello (estimulada pela simplicidade que delas exalam).
O poema "Os estatutos do homem", está velhinho de tanto reler.
Deixo-vos alguns artigos para vosso deleite, viu?
Artigo II - Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo IV - Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem, como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo VIII - Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre, não poder dar amor a quem se ama, sabendo que é a água que dma espada á à planta o milagre da flor.
Artigo XIII - Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal, para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo final: Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente, como um fogo, um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
O poema "Os estatutos do homem", está velhinho de tanto reler.
Deixo-vos alguns artigos para vosso deleite, viu?
Artigo II - Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo IV - Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem, como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único: O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo VIII - Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre, não poder dar amor a quem se ama, sabendo que é a água que dma espada á à planta o milagre da flor.
Artigo XIII - Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal, para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo final: Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente, como um fogo, um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
domingo, 30 de dezembro de 2012
Ano Novo em linhas poéticas
Feliz ano novo
O tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce,
envelhece e morre.
Eis a ciência da poesia:
amarrar o tempo no poste!
A gente nasce, cresce,
envelhece e morre.
Feliz ano novo
O tempo só anda de ida.
A gente nasce, cresce,
envelhece e morre.
Pra não morrer,
é só amarrar o tempo no poste.
Eis a ciência da poesia:
amarrar o tempo no poste!
Manoel de Barros
é só amarrar o tempo no poste.A gente nasce, cresce,
envelhece e morre.
Pra não morrer,
é só amarrar o tempo no poste.
Eis a ciência da poesia:
amarrar o tempo no poste!
Manoel de Barros
Eis a ciência da poesia:
amarrar o tempo no poste!
Manoel deManoel de Barros
” Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre. ”
Carlos Drummond de Andrade
Ano Novo
Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.
Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.
E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.
Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)
Ferreira Gullar
"O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança."
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança."
Mário Quintana
sábado, 13 de outubro de 2012
Ai, que poetinha singelo!
A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc, etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
Manoel de Barros
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc, etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sexta-feira, 27 de julho de 2012
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